urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao O meu joanete embrião Ana Valente LiveJournal / SAPO Blogs Ana Valente 2020-05-19T00:01:06Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:4078 2020-05-19T00:50:00 Reflexão de elevador no meio de um blog 2020-05-19T00:01:06Z 2020-05-19T00:01:06Z <p>Acabei de ler um texto publicado pela Carla Mota do blog "Viajar entre Viagens". O post da Carla fala da efemeridade da vida e em quão importante é aproveitá-la ao máximo. Fala no tempo e em como o Corona vírus nos está a fazer ver o tempo passar sem estarmos a fazer o que queríamos estar a fazer.</p> <p> </p> <p>Confesso que me revejo muito no texto que ela escreveu. Desde pequena que quando olho para as palmas das minhas mãos, acho que tenho a linha da vida pequena. Por muito que diga que não acredite nestas coisas, fica sempre aquele bichinho desconfortante. Podia dizer que foi  o "Osvaldo" que me fez aproveitar mais a vida, mas no fundo sei que não foi. Sempre tive um espírito de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Confesso que a certa altura me deve ter sido quase imposto (inglês, francês e piano). Acontece que depois sempre que acalmava, nem era tão produtiva, então criava projetos e ia-me desenrascando.</p> <p><br />Lembro-me dos momentos da minha vida em que me tornei mais expansiva. Foi na entrada no sétimo ano, em que influenciada pelas telenovelas mexicanas decidi que oa ser uma estrela, e foi após a minha segunda mudança de emprego. Na minha segunda mudança de emprego senti a vida a desmoronar e decidi dedicar-me a outras áreas e explorar outros caminhos. Esses caminhos permitiram-me conhecer-me melhor mas ao mesmo tempo trouxeram mais um milhão de dúvidas. Dúvidas essas que surgiram que nem borbulhinhas numa garrafa de champanhe a ser aberta. Às vezes pergunto-me como teria sido a minha vida se pudesse mudar estes momentos. Sei que não é possível voltar atrás. Mas "e se..."</p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:3785 2020-05-12T01:31:00 Sorte em tempos de COVID 2020-05-12T00:59:54Z 2020-05-12T10:37:54Z <p class="sapomedia images"><span style="font-size: 14pt;">Muito se tem falado de COVID. Se por um lado a televisão nos inunda de informação de forma a que nos tenhamos que lembrar das aulas de probabilidade e estatística da faculdade (numa versão de quase relê escola para adultos), as redes sociais enchem-nos de correntes de motivação ou de malta a treinar em casa com garrafões ou de outras pessoas a alertarem para os perigos de continuarmos a levar a vida que vivíamos.</span></p> <p>Muito sinceramente, andava-me a sentir assoberbada com tanta informação e acho que informação sem rolha é o mesmo que sapatos sem sola. Não estava a dar de tal forma que até abandonei Lisboa para vir sentir os ares do campo, num isolamento ainda mais isolado e quase perfeito, não fosse a largura de banda para estes lados parecer tirada das aulas longínquas de nanotecnologia. Adoro Lisboa. Mas Lisboa sem vida e sem os passeios de domingo aos arredores, não é a Lisboa pela qual me perco de amores. Além de que aqui me sinto mais confortável para ir dando uma corrida (cruzo-me com menos carros aqui do que com pessoas em Lisboa).</p> <p><br />Este meu afastamento do mundo fez com que nas poucas horas vagas do teletrabalho refletisse e tentasse não descurar a importância que tudo isto está a ter na minha vida. Não sou daquelas pessoas que vai dizer que descobriu um novo eu, nem que acha que vai sair disto com a alma mais pura. Nada disso. Isto é mesmo uma merda. Passar um/dois anos, da casa dos 30, em isolamento social, é só atirar dois anos para o lixo. Mais dois!</p> <p>A primeira vez que fiz esta constatação, fiquei revoltada. Depois, o vírus roubou-me a possibilidade de me despedir da minha avó, que era "só" o ser humano mais fixe deste planeta para mim. Na minha busca pelo luto que ainda não encontrei, deparei-me nos meus pensamentos com uma teoria que me deu que pensar.</p> <p>Apesar de todo o caos que a vida me tem trazido, se calhar até é um caos como eu. Um caos organizado na sua desorganização. Tenho 32 anos, tomo um comprimido de exemestano todos os dias e levo uma injeção de goserrelina líquida todos os meses, mas levo com isto porque tive a sorte de ser diagnosticada a tempo e num mundo onde este diagnóstico foi possível.</p> <p>Talvez esteja a ser repetitiva, mas eu fui diagnosticada numa consulta de rotina como outra qualquer, que já tinha adiado por motivos parvos. Imagino as pessoas que tinham consultas de rotina como a minha marcadas e que foram adiadas por causa do COVID. Quantos diagnósticos foram adiados ou mesmo ignorados? Quantos tratamentos terão que ser mais agressivos por causa do COVID? Quantas vidas terão ficado em stand-by?</p> <p>Este pensamento fez-me ficar grata. Óbvio que não estou grata por ter tido (será que já posso usar este tempo verbal?) cancro, mas estou grata por ter conseguido descobrir a tempo. Grata por ter tido mais tempo com a minha avó. Grata por ter arrumado temas que tinha pendentes. Grata por ter mostrado a pessoas importantes o quanto gosto delas e acima de tudo, grata por ainda me lembrar todos os dias de quem são as pessoas importantes na minha vida.</p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="81B7BC22-1160-4BA2-8D23-24A44D31AB6B.jpeg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf5182b02/21805327_zw6j2.jpeg" alt="81B7BC22-1160-4BA2-8D23-24A44D31AB6B.jpeg" width="405" height="720" /></p> <p>O meu último post teve 3000 visualizações (creio que mais 2990 que os outros todos) e houve pessoas que tiveram a amabilidade de me enviar algumas palavras. Obrigada ❤️. Contudo, eu não sou heroína de ninguém. Eu sou só uma miúda de 32 anos que anda a deambular por aí e que teve que trocar um aglomerado de células que veio com defeito.</p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:3397 2020-03-13T00:23:00 Qualquer um consegue correr 10km 2020-03-13T00:23:49Z 2020-03-13T00:23:49Z <p>A corrida tem sido durante algum tempo o tema de escrita deste blog. Mas só há uns tempos é que me apercebi da verdadeira razão da importância da corrida na minha vida nos últimos tempos.</p> <p>Quando eu era pequena, odiava correr. Fazia parte da equipa de basket da escola, mas mesmo assim, odiava mesmo correr e tinha raiva de quando me falavam no assunto. Digamos que tinha uma certa parte do corpo um bocado avantajada e sentia que ao menor movimento, toda eu abanava. Mesmo assim, sempre que havia oportunidade, qualificava-me para os campeonatos distritais. Não pensem que nesses dias me transformava e que corria para xuxu. Não… Eu sou de Tomar… Não havia propriamente muitas pessoas do sexo feminino a quererem ir a Santarém correr no meio da lama, então lá ia eu, fazer a minha caminhada distrital, só para o convívio (isso sempre no meu ADN).</p> <p>Já em idade menos criança, comecei a correr mais como deve ser. Fui desafiada por uma amiga a atravessar a ponte 25 de abril. Achei que ia só ver as vistas e tirar umas selfies, mas o orgulho fez-me tentar fazer a corrida sempre a correr. Consegui. Contudo, o meu orgulho começou a meter-se comigo. Estava eu de peito feito toda contente de ter corrido 7,9 km sempre a correr e um senhor nos seus 70 anos começou muito gabarolas a dizer que tinha ido a todas as edições da meia maratona. Para ser sincera, senti-me humilhada e meti na cabeça que no ano a seguir ir fazer a meia maratona de Lisboa.</p> <p>No ano a seguir, em 2016, com 15 treinos feitos num ano e apenas um com mais de 10 km, consegui terminar a meia maratona. Num tempo miserável, claro está, porque ninguém no seu perfeito juízo deve pensar em tempos treinando esta miséria. Mais uma vez, terminei a prova a achar que me tinha superado, mas comecei a olhar para o lado e a frustração voltou. Porque é que eu não me tinha esforçado mais? Porque é que não pus o objetivo de correr a prova em menos de 2 horas?</p> <p>Comecei-me a focar nos anos seguintes nesse objetivo mas foram surgindo dificuldades. Projetos difíceis que tornavam os treinos impossíveis, lesões de pseudo-runner que impediam os treinos e que me mandaram para a fisioterapia, manhãs frias e um cobertor super fofinho lá em casa. Havia sempre um milhão de desculpas para não treinar o que devia para conseguir alcançar os meus objetivos desportivos. Mesmo assim, as 5 meias maratonas de 2017 e 2018 foram feitas sem nenhum tipo de dor e sempre de sorriso no rosto. Cheguei a outubro de 2018 e tão confiançuda que estava, inscrevi-me na maratona de Aveiro. Eis que surge o Osvaldo. O Osvaldo foi um senhor tumor que me apareceu e que me desorientou um bocado os planos que eu tinha para 2019. Chamo-lhe Osvaldo porque acho que já que foi tão bom assistente a desmarcar tanta coisa da minha vida, devia ter um nome (nunca serei dos tipos de líder que não sabe o nome dos assistentes).</p> <p>Um dos planos que o Osvaldo me adiou foi o da maratona de Aveiro e não querendo ser spoiler, a de Aveiro também não vai ser este ano. Fiz tudo o que o Osvaldo me mandou fazer em 2019. Aliás, em vez da maratona de Aveiro, tive uma maratona com bem mais obstáculos para enfrentar. Parecia mais do que óbvio que os objetivos desportivos não iam ser para 2019, afinal de contas, o Osvaldo é que mandava. Acabei a quimioterapia a 1 de Abril e sim… parecia mesmo mentira. A maratona de Aveiro era a 28 de abril. Lembro-me perfeitamente de receber um email com o dorsal e de ter ficado o dia inteiro de trombas. Eis que me passou uma epifania qualquer pela cabeça e decidi despedir o Osvaldo. Eu é que ia mandar na minha agenda. Aqui sim, que se lixassem os tempos, mas eu ia a Aveiro, nem que fosse correr só os 10 km. Assim foi. Foi o meu pior tempo numa corrida de 10 km mas foi a mais prazerosa. Pela primeira vez, corri uma corrida por mim, sem comparações, e para mim. Cheguei ao fim e senti que tinha superpoderes. Nada nem ninguém me podia parar. Pela primeira vez, não me senti nada frustrada. Percebi que compararmo-nos é autosabotarmo-nos. Retomei os treinos e dediquei-me a sério a isto da corrida até novembro. E sabem que mais? Finalmente, consegui baixar das 2 horas numa meia maratona, em novembro.</p> <p>Porque é que eu gosto tanto de correr? Por causa da superação. Se olharmos para a corrida como metáfora para a vida, as duas são bem parecidas. Quando corro meias-maratonas, chego ali ao km 16 e só penso na minha caminha quentinha. Ora bem, quantas vezes na vida não nos surgem dificuldades que nos fazem querer fugir e voltar para o quentinho do lar? Na vida vamos ter sempre cobertores quentinhos que nos vão chamar para a nossa zona de conforto. Nisto das corridas, 15% é corpo e 85% é mente e se tivermos disciplina, tal como na vida, vamos conseguir ultrapassar todos os obstáculos e atingir todos os objetivos a que nos propusermos.</p> <p>Se eu consegui correr 10km nas circunstâncias em que o fiz, todos o conseguem fazer.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:3193 2019-06-04T23:26:00 Meu rico Santo António 2019-06-04T22:55:39Z 2019-06-04T22:55:39Z <p>A corrida de Santo António, em Lisboa, é a corrida onde eu fiz a minha melhor marca dos 10 km. Fiz 54 minutos nesta prova em 2017, num ano que não me estava a correr espetacularmente bem, mas que comparado ao ano atual, estava um mimo! E a coisa especial dessa corrida é o belo do manjerico que se acaba por trazer para casa. </p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 636px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="18920455_10211631091268322_2406510071871913904_n.j" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1817ec47/21472374_3iKM4.jpeg" alt="18920455_10211631091268322_2406510071871913904_n.j" width="960" height="480" /></p> <p>Nos antigamentes, os rapazes ofereciam manjericos às suas amadas para que elas os cuidassem até ao ano seguinte. O carinho demonstrado no trato do manjerico seria um paralelismo ao trato que dariam à relação. Pois... o meu manjerico fofuxo já está mais para lá do que para cá, mas não quero que seja esse o significado do meu compromisso com a corrida. Por vezes, a morte de uma planta é só desmazelo, não tem que ter outros sentidos. Tal como todas as outras coisas. Às vezes as coisas são só o que são. Não vale a pena pensar em explicações alternativas. </p> <p>Apesar de o meu manjerico estar a morrer, o meu gosto pela corrida mantém-se forte. Sinto que a corrida é o que me mantém sã. No meio deste Kosovo de tratamentos, consultas e convivências estrambólicas, a corrida é o que me cansa. É o que me permite criar rotinas e planos a médio prazo. Eu odiava rotinas. Queria sempre algo novo, estimulante e eletrizante. Queria um mundo cheio de responsabilidades e possibilidades. Agora quero só uma rotina. Uma rotina serena, para ser feliz junto dos meus. Não preciso de um nó no estomago para me sentir viva. Preciso de paz.</p> <p>A corrida deu-me lucidez num período menos claro. Os paralelismos com a corrida fizeram-me descobrir que sei bem o que quero e porque o quero. O facto de ter começado a treinar as corridas em grupo, fez-me ver que podemos até alcançar o mundo, mas é muito melhor quando o alcançamos em conjunto com quem gostamos. </p> <p class="sapomedia images"><img style="width: 634px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="WhatsApp Image 2019-06-01 at 22.22.12.jpeg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f180ab8/21472375_1fYi5.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-06-01 at 22.22.12.jpeg" width="960" height="479" /></p> <p> </p> <p>No último sábado corri novamente a corrida de Santo António. Após uma semana de radioterapia. Com 30 graus. Cortei a meta em 58.48 minutos. Cortei a meta de mão dada com uma grande amiga. Voltar a correr 10 km em menos de 1 hora fez-me sentir tão, mas tão bem. Senti-me com super poderes. Apercebi-me ao cortar aquela meta que até posso não ter a minha vida resolvida (acho que nunca vou ter), mas que nada me impede de lhe dar um rumo. </p> <p><img style="width: 540px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="WhatsApp Image 2019-06-01 at 21.58.01.jpeg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba218a28d/21472372_jzLNR.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-06-01 at 21.58.01.jpeg" width="540" height="720" /></p> <p>Amanhã tenho consulta de risco familiar. Vou saber se tenho o bicho do BRCA-1. Tendo ou não, dia 24 de Novembro é a meia maratona de Évora e dia 16 de Fevereiro é a meia maratona de Barcelona, onde já fui muito feliz. Sabe bem fazer planos destes, mesmo que seja o dia de amanhã que mais me assuste. Amanhã, dê por onde der, a minha vida ganha um rumo.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:2992 2019-05-09T19:17:00 A minha mini de Aveiro 2019-05-09T18:21:26Z 2019-05-09T18:21:26Z <p>No meu último post deixei a promessa de que iria a Aveiro dia 28 de Abrill. Pois é, eu cumpri. Não me senti capaz de correr a meia maratona (para ser sincera, a indisposição constante não me motivou muito para fazer os treinos que a prova merece), mas corri os 10 km. Fiz o meu pior tempo de sempre desde que comecei a correr 10 km, mas fiz, e nunca parei.</p> <p>Na verdade, pela primeira vez, senti que até tinha pernas para mais, só não tinha era coração para mais. Chegar aos 8km, tentar acelerar e ver que a máquina não estava a responder custou. Custou porque me senti um ovo podre e custou porque senti que não era eu mesma que estava em controlo.</p> <p> </p> <p><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG-7616.JPG" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1117e727/21447719_zvZbp.jpeg" alt="IMG-7616.JPG" /></p> <p>Houve outras coisas que me custaram em Aveiro. Normalmente, adoro ir a sítios para tirar fotos e tudo o mais. A minha imagem de mim mesma enquanto pseudo-runner é uma miúda de rabo de cavalo e com uma fita amarela fluorescente. Foi a primeira vez que fui a uma prova sem a minha fita e sem o meu rabo de cavalo. Foi a minha primeira prova de boné. Olhar para as fotos é ver uma imagem que não reconheço como sendo eu e tanto se aplica à corrida como à rotina diária. É uma confusão do caraças nesta minha cabeça ter uma imagem de mim que não é o que é refletido quando me vejo ao espelho.</p> <p>Tenho dito que estou em negação. Pois bem. Acho que a negação está a passar. Não sei se estou a entrar diretamente na depressão ou se ainda estou na fase da raiva. Não sou paciente. Nunca fui. Quero que toda a situação que está a acontecer passe rápido. Quero deixar de dizer situação e não consigo. No fundo acho que quero meter a situação numa caixinha, fechá-la à chave e nunca mais a abrir. Nunca mais lá ir espreitar. Já bastam as marcas no corpo. Já bastam as marcas na alma. Sinto que estou a ficar OCD. A mais pequena coisa que me foge do controlo é como se me tirassem um tapete debaixo dos pés. Isto varia desde um ovo demasiado cozido a uma desmarcação de um plano qualquer. Estar numa constante luta comigo mesma de forma a ser normal e não reagir da forma psicótica que a minha mente está a pedir tem sido cansativo.</p> <p>Voltando a Aveiro, já a chegar aos 10 km, chegou uma senhora ao pé de mim, tocou-me no ombro e disse “força, que o ano passado era eu. Vai correr tudo bem”. Foi o comentário que eu precisei para chegar ao fim de peito feito e orgulhoso.</p> <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="IMG-7620.JPG" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B43176018/21447720_388pl.jpeg" alt="IMG-7620.JPG" /></p> <p> </p> <p>No final da corrida, fui ter com ela e com o marido a agradecer a força. Foi só um minuto de conversa, mas foi enriquecedor. A malta das corridas é mesmo linda! Desde Novembro que a minha corrida tem sido outra e tenho tentado ser forte. Tentado não, tenho sido forte. Mas chega a um ponto em que cansa. Acho que fica muito sentimento cá dentro recalcado. Fica o saco cheio e pronto a brotar sentimentalismo à mais pequena coisa. É aquele precisar de mimo mas ao mesmo tempo não precisar porque se o receber me desmancho. É aquele precisar de pensar em mim, mas já passou muito tempo… não és o centro das atenções Ana Margarida, as outras pessoas também precisam de tempo. É o não querer ser o caso de solidariedade de ninguém.</p> <p>A maratona da minha vida está a continuar. Já só falta a radioterapia, acabar a imunoterapia e a hormonoterapia. Entretanto, há a corrida de santo António, a consulta de genética e a meia maratona de Évora, em Novembro. E passo a passo, todas as corridas serão feitas.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:2744 2019-01-21T08:00:00 2 meses depois 2019-01-19T12:53:24Z 2019-01-19T12:58:56Z <p>Já se passaram 2 meses desde que fui operada. Não me consigo lembrar de 2 meses mais lentos na minha vida. A lentidão com que as coisas se processam é das coisas que mais de afeta. Sou uma pessoa super despachada e ter uma coisa que coze em banho maria, é algo que mexe com o meu sistema nervoso. Mas dito isto, dadas as circunstâncias até acho que sou um poço de serenidade 99% das vezes. </p> <p>O meu 1% de não serenidade é quando o meu alçapãozinho de não tranquilidade se abre e eu me sinto em queda livre. Aconteceu durante os tratamentos de preservação de fertilidade e aconteceu quando estive a tomar conta da minha avó.</p> <p>Os tratamentos de fertilidade foram o meu período mais negro até agora. Acho que todo o processo gera muita ansiedade. Conseguia ver casais de mãos dadas super nervosos e eu ali, naquele corredor da maternidade Alfredo da Costa, sozinha. Além disso, os telefonemas quase diários para controlarem a dose de hormonas que se devem injetar na barriga sem grandes explicações e o processo de espetar duas agulhas por dia na bela da banhoca da barriga não foram coisas propriamente agradáveis. Houve momentos em que pensei se tudo aquilo não seria dispensável. Durante todo o período de preservação de fertilidade, até os comentários "aquela ali já tem mais de 30 e está solteira, portanto é porque tem um problema mental sério" me atingiam como se fossem facadas. Foi um período que me fez reanalisar a minha vida pseudo amorosa toda para tentar decifrar qual é que é afinal o meu problema. Foi duro. Foi ainda mais duro ter que esperar uma semana para saber que consegui preservar 9 ovócitos. Bem... ao menos vou poder tentar ter gémeos, se um dia encontrar o princípe encantado (sim, eu continuo e vou sempre continuar a acreditar que, por muito tresloucada que eu possa ser, existe um princípe por aí a preparar-se para mim). </p> <p>A minha avó materna ainda não sabe que me apareceu um tumorzinho. Como a saúde dela está frágil, decidimos que ela só ia saber que, por precaução, me tiraram uma coisinha. Não sabe portanto de todos os tratamentos que vou ter que fazer. Estava no sábado a passar-lhe um bocadinho da minha magia matinal quando me vem à cabeça que ela se calhar vai perceber que não estou o máximo, quando me vir careca. Se calhar quando dizem que a mentira tem perna curta, estão-se a referir a estes momentos. Para as pessoas da geração da minha avó, ter cancro ainda é muito pesado e imaginar o sofrimento que isso lhe vai causar, fez com que fugisse de casa dela a correr com a desculpa de ter que ir apanhar limões. Acho que não há ninguém no universo que goste tanto de mim como a minha avó. Também sei que é a pessoa do mundo de quem mais gosto. Imaginar o que ela poderá sentir quando descobrir, juntamente com todos os problemas de saúde que ela está a ter, é o equivalente a ter 4 camiões TIR a passarem-me por cima e mais sei lá o quê.</p> <p>Hoje vou fazer a minha segunda sessão de quimioterapia. A primeira até que foi tranquila. Tenho só tido o estomago mega embrulhado. Mas até que estou a precisar de perder uns kilinhos portanto, há coisas piores. Aconselharam-me uma nutricionista de vedeta e acho que vou lá fazer uma visitinha. Também tive sono para xuxu, mas nada que me tenha impedido de sair de casa e ir ao meu yogazinho de segunda-feira. Retomei a minha vidinha mais ou menos normal e descobri que a quimioterapia não é nenhum bicho papão. Quanto muito, poderá ser hoje ou para as próximas semanas um bicho papão de cabelo e de sensibilidade nas extremidades do corpo. </p> <p>Entretanto, tinha-me inscrito em Dezembro (antes de saber que ia precisar de fazer quimioterapia) na meia maratona de Aveiro e achei que a quimioterapia seria um entrave. Achei isso até à última sexta-feira. Depois, lembrei-me da corrida do Tejo. Enquanto eu e as minhas parceiras do running nos preparávamos num dos treinos oficiais, vimos uma senhora, claramente a passar por umas quimios valentes, a treinar no grupo de 4.30. Lembro-me de ter pensado "eu não valho mesmo nada". Está aqui a minha oportunidade de parar de me queixar e levantar o rabo do sofá. Começo mesmo a acreditar que nada na vida acontece por acaso e que houve uma razão para me ter cruzado com aquela senhora nos treinos. Começo a acreditar que mesmo o que não deu certo na vida, foi para que um dia, dê certo da maneira mais certa. Dito isto, vou ter que ter consciência dos meus limites, como é óbvio, mas Aveiro que me aguarde. Nem que faça só 10 km e a andar, eu vou a Aveiro dia 28 de Abril.</p> <p>Espero do fundo do meu músculo cardiovascular que os próximos posts sejam sobre "como preparar uma meia maratona durante uma quimioterapiazinha". E mesmo que me caia o cabelo, citando uma grande amiga minha... "É tudo em nome da performance".</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:2494 2018-12-27T23:17:00 Próximos passos 2018-12-27T23:33:52Z 2018-12-27T23:33:52Z <p>Desde o meu último post aconteceu muita coisa. Fui operada e fiquei a aguardar ansiosamente os resultados à análise da peça. Não que achassem que não seria um tumorzinho mas porque precisavam de saber o conteúdo do bicho. Montes de tempo depois, lá me disseram que o bicho afinal é triplo positivo é que devido à taxa de proliferação vou ter que levar com a quimioterapia, a imunoterapia, a hormonoterapia e a radioterapia. Tanta terapia junta para uma pessoa que se sente tão bem.</p> <p>Ainda nunca me passou pela cabeça que não me vou safar desta mas a notícia da quimioterapia mandou-me abaixo um bocadinho. Já me sentia capaz de voltar às corridas e ao trabalho e até já me inscrevi na meia maratona de Aveiro. Bah... não estava mesmo preparada para isto! Tinham-me preparado psicologicamente só para a radioterapia. </p> <p>Com isto tudo comecei a frequentar a maternidade Alfredo da Costa. Há que pensar em bebés no meio disto tudo. Não é que eu os queira já mas por incrível que pareça a ideia de ficar com essa possibilidade posta de parte deixou-me muito triste. As idas à maternidade animaram-me. O que não  deixa de ser um bocadinho irónico. Sempre me considerei espanta macho. Com esta cena toda, acho que fiquei definitivamente espanta macho. Não sei se valerá a pena congelar óvulos com todos os traumas com que fiquei agora. Sempre tive mamilos estrábicos, mas agora ficaram ainda mais estrábicos e com bigodes. Atenção que a minha cirurgia foi muito bem feita. Mas foi de tal forma bem feita que a mamoca deixou de estar aquele bocadinho descaído que estava e há um ponto que teima em continuar aqui esperado. Quase que dá para fazer um smile...</p> <p>Com toda esta situação acho que Deus deve ter colocado um estagiário com o meu caso. Sempre me queixei das mamas e da juba, o estagiário olhou para o “pedido” e decidiu dar uma mexida... e com tudo isto a ideia que mais me passa pela cabeça é que vou ser espanta macho quando me cair o cabelo. Sinto-me tão parva por pensar nestas coisas.</p> <p>Toda a gente me diz que isto agora não é importante e o importante é ficar boa. Mas este processo é tão lento! 25 semanas de visitas ao IPO... bah...</p> <p>Quero muito voltar à minha vida normal. Que saudades da rotina! Que saudades de poder ter um pensamento fútil de uma pessoa da minha idade sem me passar pela cabeça logo outro a dizer “tens mais em que pensar”. Que saudades de poder dar um abraço sem ter que me aguentar.</p> <p>O que escrevi pode parecer deprimente mas até acho que tenho estado ativa e de mente sã. Há momentos menos bons, mas também são precisos para digerir isto tudo. Não posso ter vergonha de estar triste. </p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:2147 2018-11-11T19:37:00 Um post diferente 2018-11-11T19:37:37Z 2018-11-11T19:37:37Z <p>Desde pequenita que tenho mais facilidade em comunicar por escrito do que em conversas presenciais. Acho que não sou a única, mas para ser franca, não sabia bem como começar esta publicação e achei que esta seria uma forma tão apropriada como outra qualquer.</p> <p>No passado dia 8 deram-me uma notícia muito pouco boa e que me poderia ter deixado de rastos, não tivesse eu automaticamente ligado o meu estado de emergência e ter entrado em negação. Foi o dia em que me disseram que tinha um carcinoma invasivo da mama. A reação das pessoas sempre que conto é aquela conversa típica de “Fdx! Mas é maligno? Como descobriste?”. Para poupar latim tenho a dizer que a resposta à primeira pergunta é “Sim” e a resposta à segunda é “consulta anual de rotina”.</p> <p>Tudo começou um dia antes de ir de férias quando uma médica me disse que eu teria que adiar a minha viagem de férias para fazer uma biópsia de urgência. Sempre achei que era um mero formalismo para a médica ficar descansada. Comecei a ficar apreensiva quando voltei de férias, me dirijo à clínica e me dizem que os meus resultados só poderão ser entregues por um médico. Parece que não querem que uma pessoa descubra as notícias sem se aperceber da gravidade da situação.</p> <p>Acontece que quando fui receber os exames, a minha mãe fez questão de ir comigo. Para quem não sabe, em Março de 2010 a minha mãe descobriu que tinha cancro da mama e passou por todo este processo. Quando ela ouviu “a Ana tem um tumor” sinto que além de ter vivido a história dela toda outra vez, que lhe tiraram o tapete debaixo dos pés. E aí eu tive que intervir. Não há coisa pior para mim do que sentir que sou fonte de preocupação ou sentir que sou um fardo. Engoli em seco, sorri, e disse “ok, tenho que fazer uma ressonância, não é?” (qualquer dia tenho uma pós graduação em acompanhamento de doenças destas, portanto modos que conheço o procedimento).</p> <p>Sei que isto não é a mesma coisa que tirar a vesícula, mas não lhe quero dar mais importância do que isso. Os dramas não levam a lado nenhum e nos dias que correm, isto não é o fim do mundo. É chato, claro que é. Também é frustrante para xuxu. Está uma pessoa 30 anos para aceitar o corpo e quando finalmente o aceita, pimbas, bora lá cortar-lhe uma posta. Em conversa com um amigo meu, ele disse que me autorizava a dizer 2 “fodasses” ao longo do processo (3 já são demais). Como eu gosto de usar os meus vales e estou confiante com o futuro, escolho usar o meu primeiro agora. FODASSE. Tenho 30 anos, estou inscrita numa pós graduação para começar em Fevereiro. Não tenho tempo para um pós operatório, hormonoterapia e n sessões de radioterapia. Tenho powerpoints de viagens para fazer, livros para comprar, e uma carreira para construir.</p> <p>Neste processo todo, tenho que apoiar a minha mãe. Se já é difícil uma pessoa fazer um telefonema a uma pessoa com isto, parece que fazer um telefonema à mãe ainda é pior. A minha mãe tem neste momento amigos que a não conseguem encarar e outros que lhe ligam ligeiramente embriagados. Depois existem aqueles sabichões que têm que ter sempre algo a opinar e começam com discursos tipo “isso cá para mim é genético. Já que vais ser operada, tira logo isso tudo”. Primeiro: estou em lista de espera para uma consulta de risco familiar. Segundo: (e já disse isto noutros contextos) eu não sou uma bicicleta para tirar peças e ver se continua a funcionar só porque sim. Não vou ter uma reação precipitada. Vou aguardar e logo se vê.</p> <p>Com isto tudo, e porque me tenho que agarrar a cenas e coisas, estou ligeiramente orgulhosa de mim. Uma pessoa vai lendo histórias (eu escreverei sempre história em vez de estória) de pessoas que ficam doentes e têm epifanias, acabando por mudar a vida toda. Eu não mudava nada na minha vida. Não há vidas perfeitas (acho que por ter esta merda, tenho também o direito de dizer que a minha vida não é perfeita), mas há vidas conseguidas. Há vidas com momentos muito felizes. Olhar para trás e ver o quanto evoluí para conseguir dizer isto é lindo.</p> <p>Como disse no início, estou em fase de negação. Tenho chegado mega cedo ao trabalho e continuado a minha vida normal. A minha entidade patronal foi altamente. Verdadeiros amigos. Ainda não disse aos meus amigos, daí estar a escrever isto. Porque sei que se disser isto na cara de alguém sou capaz de me desmanchar e não tenho tempo para isso. Até hoje ainda só tive uma tendência para me desmanchar e foi a fazer a viagem Lisboa-Tomar no carro, sozinha. Mas tenho um gato mega fofo que ia miando e eu para ralhar com ele. Aliás, tenho 2 truques para não me desmanchar, sendo que um deles é ralhar com o gato (desculpa Óscar Lindo). O segundo chega a ser cómico porque consiste em engolir e em encher as bochechas com ar (fico com uma cara mega ridícula). O contacto físico é perigoso e é algo que ainda não aprendi bem a controlar. Eu sei que há malta que tem tendência a dar abraços mega sentidos, mas eu ando a evitar disso. Em nome da minha postura e da minha sanidade mental.</p> <p>Chill malta. Eu acho mesmo que vai ficar tudo bem. Acho que a única pessoa que me faz achar que há hipóteses de não ficar boa é o Owen Hunt de Anatomia de Grey porque disse num episódio qualquer da 14ª temporada que não se pode prometer que vai ficar tudo bem (se calhar é um sinal que já devia ter deixado de ver esta série).  Eu com isto corri uma meia maratona. Há malta super saudável que nem sai do sofá. Dizem que a radioterapia cansa (ainda não tenho bem a certeza do tratamento a aplicar porque ainda aguardo o resultado da ressonância, estou só a mencionar o que me disseram que seria mais provável), isto significa que em vez de andar a mil, vou ser normal durante uns tempos. As minhas apreensões são só o querer fazer tudo o que faço atualmente. Quero continuar a fazer yoga, a correr e a fazer wakeboard e com isso o meu braço vai ter que ficar bom. Lembro-me do processo da minha mãe, das fisioterapias e das mesoterapias. Bah. Eu só quero continuar a minha vida normal depois disto, para fingir que nunca aconteceu.</p> <p>Não sou a melhor pessoa a encarar isto. Daí tentar evitar o assunto. Daí tentar encontrar no trabalho um refúgio. Não vou começar a ler Gustavo Santos nem Sofia Ribeiro (com todo o respeito). O Ken Follet e o Saramago continuam a ser grandes amigos meus.</p> <p>E sabem que mais? Deus sabe o porquê de nos pôr à prova. Vai ser o que tiver que ser. E eu acho que vai correr tudo bem. E se não souberem o que me dizer, não digam nada ou usem emojis (parece que ajuda).</p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:1968 2018-09-17T18:23:00 Herr Eliud 2018-09-17T18:01:46Z 2018-09-17T18:04:08Z <p style="text-align: justify;">(tentativa de post sério)</p> <p style="text-align: justify;">Para quem não sabe, ontem foi batido o record mundial da maratona. Pela primeira vez, alguém conseguiu fazer 42,2km em 2 horas, 1 minutos 2 e 40 segundos. Sim malta, parece que há alguém neste mundo que conseguiria fazer mais rápido Lisboa - Cascais a correr do que de carro em hora de ponta lisboeta.</p> <p style="text-align: justify;">Outro facto importante de destacar é que havia 3 lebres nesta maratona que segundo os especialistas em vez de ajudarem o novo recordista mundial o atrasaram nos primeiros 25 km da prova. Para os leigos, uma lebre é uma pessoa (acreditem que eu sei que parece estranho chamar animal a uma pessoa) que corre a marcar ritmo. Assim que as 3 lebres cairam, o senhor Eliud acelerou, como se o corpo dele estivesse a pedir mais. Mais, sim. Porque acabar uma maratona em 2 horas e 5 minutos é para meninos (comentário feito propositadamente para ferir os que dizem "o importante é acabar"). </p> <div style="text-align: justify;"> <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="Image.png" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc6061878/21173194_a2sFL.jpeg" alt="Image.png" width="281" height="500" /></p> </div> <div style="text-align: justify;">Eliud Kipchoge tem vontade de fazer história. Há uns tempos fez uma parceria com a NIKE para tentar baixar o record da distância para menos de 2 horas. Nabo... "Só" conseguiu fazer 2 horas e 40 segundos. Outros especialistas da distância não consideraram o tempo válido porque as lebres iam-se revezando (sim... não basta haver 1 pessoa super sónica a conseguir fazer isto, os comités querem que existam uns 4 ou 5 ao mesmo tempo).</div> <div style="text-align: justify;">Por parvo que pareça, eu que nem costumo ligar muito a isto, fiquei mega contente com este feito. Não por ter uma costela queniana (quanto muito tenho uma costela de uma preguiça perdida na Costa Rica), mas porque como utilizadora da app da nike, já fiz uma "guided run" com o senhor Eliud. Na altura confesso que tive alguma dificuldade em perceber o seu inglês (e o nabo é ele e não eu, ele tem a vocação para a corrida, deixem-me a mim ficar com a vocação para ser poliglota). Confesso até que não adorei aquela corridinha. Mas assim que vi que ele bateu o record fiquei de peito feito a pensar "já fiz uma corrida com ele" (ao mesmo tempo senti-me ignorante porque parece que o senhor já tinha ganho umas 10 maratonas e eu nem sabia... é o que dá só ligar a futebol. Será que posso processar a comunicação social?).</div> <div style="text-align: justify;">Ainda não foi desta que a maratona ficou com um record inferior a 2 horas mas acredito que daqui a uns aninhos isto chega lá. Digo aninhos porque não acho que seja humanamente possível este senhor preparar-se até Dezembro para outra grande maratona mas mesmo assim... faltam 48 dias para a maratona de Nova Iorque. Será que existe alguém no mundo mais rápido do que Eliud? Será que Yuji Kawauchi, vencedor da duríssima maratona de Boston de 2018 vai fazer história em Nova York? (De notar que também este senhor conseguiu correr uma ultra maratona de 71 km em 4 horas 41 minutos e 55 segundos... só depois de nesse mesmo mês ter feito 5 meias maratonas num mês... coisa pouca).</div> <div style="text-align: justify;">É ao olhar para estas marcas que penso no quão pequeninos nós, corredores de fim de semana (expressão escrita com carinho e sem qualquer tipo de escárnio) somos. O ano passado fiz 4 meias maratonas. O meu único objetivo era baixar das 2 horas e 2 minutos para as 2 horas (tirar 120 segundos portanto). Baixar 120 segundos é difícil para xuxu. Não consegui. Aos 42 km, o sr. Eliud conseguiu tirar 78 segundos. Vénia para ele! Se eu fizesse uma maratona, de certeza que não conseguiria baixar das 4 horas (nem uma meia consigo em 2 horas). Yuji correu 71 km provavelmente no mesmo tempo que eu correria 42. Se isto não é ter super poderes, o que é? Mariquices à parte, acho que estas super pessoas nos dão mesmo a noção de que não há impossíveis e de que conseguimos tudo aquilo a que nos propusermos se realmente trabalharmos para isso. Força Eliud. Acho que uma maratona em 1 hora é impossível, mas fico a torcer por ti. Yuji, desculpa. Sou team Eliud.</div> <div style="text-align: justify;"> </div> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:1655 2018-09-03T10:19:00 O parvalhão do peroneo-astragalino anterior 2018-09-03T09:52:08Z 2018-09-03T12:30:11Z <p>Yellow malta, </p> <p> </p> <p>Pois. Eu tinha decidido que o meu blog era demasiado parvo para continuar a escrever, mas acontece que me deu para aqui uma epifania e... what the hell... I'm back!</p> <p> </p> <p>Pareceu-me bastante parvo continuar um blog de corrida quando tive que estar bastantes meses sem correr. Bem, o "tive que estar" é um exagero, mas habituem-se porque toda eu sou um exagero. Houve meses em que, por compromissos ou por férias mais que altamente, optei por ficar no sofá em vez de ir correr. Shame on me, eu sei. Mas acreditem soube tão, mas tão bem. E deu para alinhar outros shakras que entretanto já se desalinharam outra vez, mas que também não interessa nada. </p> <p> </p> <p>Depois destes meses de preguicite aguda, decidi recomeçar. Aos pouquinhos, lá fiz outra corridita de 10 km, com um tempo horrível mas que não importa nada porque o importante é sair do sofá! Afinal de contas o meu objetivo, na altura realista, era terminar a 14 de outubro de 2018 a maratona de Lisboa, a primeira maratona da minha vida e o grande objetivo. Eis que, tudo veio por água abaixo, ou mais concretamente, pelo castelo dos Mouros abaixo. Estava eu a dar pulinhos de felicidade por andar a passear (e adicionei os pulinhos porque já tinha 2 travesseiros no bucho e precisava de queimar as bitches das caloriazinhas extra) quando chego ao alcatrão e pimbas, começo a rebolar pela rebanceira abaixo. Foi a risada total, toda a gente que assitiu adorou. Houve turistas a passar de tuc tuc a tirar fotos. Lindo. Levantei-me com uma lágrima no cantinho do olho e, ao pé cochinho e com a pouca dignidade que me restava, lá fui sentar-me. À falta de gelo, meti uma pedra da calçada em cima do pé que tinha magoado. Afinal de contas, era Fevereiro e esta frio para xuxu. Armei-me em forte e continuei o dia de turismo indo almoçar à beira mar e com direito a mega saída ao fim do dia (acabou a ver o The Room, portanto o conceito de "mega" é relativo e cheguei a pensar que talvez também tivesse batido com a cabeça).</p> <p> </p> <p>Dia 3 de feveireio acordei e o meu pé (onde já tinha metido bastante gelo) parecia uma batata roxa. Fui ao hospital. Não estava partido, mas disseram para procurar um fisioterapeuta se passado 1 mês ainda me doesse e para usar muletas. Acontece que não sou a pessoa mais pontual do mundo. Imaginem o que é atravessar a cidade de Lisboa de metro e de muletas. Não estava a funcionar. Usei muletas 3 dias e nos outros fui cochear. Antes ir cocha do que deixar de ter tempo para o meu cafézinho matinal no Martinho da Arcada. Entretanto o roxo saiu, mas o raio do pé continuava uma batata e a doer como se tivesse 20 toalhas ali em cima. Simplesmente não conseguia sequer agachar e o raio do pé parecia pendurado. Fui a um fisiatra que me mandou fazer exercícios em casa (que eu fiz durante 3 dias e depois fui adiando) e passado outros 2 meses fui a um ortopedista mostrar o pé. Fiz uma ressonancia (sinceramente nem sei como a fiz porque não conseguia estar quieta) e pimbas... palavra nova no dicionário... o bimbo do astragalino está roto... Lembrei-me por momentos das birras que fazia em pequena quando a roupa tinha buracos... Será que poderia fazer uma birra por ter um buraco no astragalino? Isto, mais uma vez é mega exagero. O ortopedista disse que não era nada de grave (e ainda bem), mas o que eu sei é que incomodava para xuxu. Sempre que corria o pé voltava ao estado batata e eu sou uma pessoa ansiosa. Não estava a lidar bem com aquilo...</p> <p> </p> <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; float: left;" title="pic1.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfd08aba9/21157469_jZaHY.jpeg" alt="pic1.jpg" width="281" height="500" /></p> <p style="text-align: left;"> </p> <p>1 mês de fisioterapia depois e comecei a correr no alter-G, que é uma máquina que te permite correr a uma gravidade inferior. E aos pouquinhos o pé deixou de ficar batata e passou a ter só uma coisa pequenininha no calcanhar. Metia gelo sempre a seguir à corrida e fui uma boa menina na fisioterapia. Com isto tudo, estive de fevereiro a junho sem poder fazer desporto com impacto e dedicada apenas ao yoga, que também doía mais do que o suposto nos alongamentos. Isto tudo para dizer que as minhas preocupações aumentaram. Além de ter uns pés num estado lastimável e secos como tudo (as usual), o tamanho do meu rabo começou a ser alvo das minhas insónias. Tinha que voltar a correr ASAP e assim foi. Juntei-me a 2 amigas e temo-nos motivado umas às outras. Independentemente da vontade do meu astragalinozinho fofinho, tenho corrido (e feito MUUUUUUUUUUUUITO gelo). O meu pé já não chega às dimensões anteriores, mas sinto que não está a 100%. Tenho abusado nos alongamentos dos peritoneais porque os sinto sempre nas corridas com mais de 7 km. Tenho feito pela vida. Há sempre aquela impressãozinha co calcanhar que me impede de abusar e vou ser honesta: tenho uma meia maratona a 14 de outubro (como devem calcular, a maratona passou a ser mission impossible para 2018) e estou borradinha de medo. Não acabar uma meia maratona vai ser um golpe duro na minha preparação mental, mas por um lado sinto que apesar de ter que respeitar o meu corpo, também lhe tenho que mostrar quem é que manda. Continuo a fazer os exercícios da fisio em casa e todos os trabalhos de casa. É só uma impressãozinha e só às vezes. </p> <p> </p> <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="pic2.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4d07badf/21157470_FgmB4.jpeg" alt="pic2.jpg" width="500" height="335" /></p> <p> </p> <p> </p> <p>Vai dar tudo certo. Não há astragalino nem calcâneo que me páre!</p> <p> </p> <p>P.S.: Não me esqueci do post das cuecas de corrida...</p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:1490 2017-08-21T02:18:00 Barcelona 2017-08-21T01:18:28Z 2017-09-02T02:24:32Z <p>Este ano fui à meia maratona de Barcelona com um grupo de amigos espetaculares que tenho. Lembro-me que ao chegar ao local da partida comentámos que seria um local propício a atentados, afinal de contas estavam ali reunidas quase 20000 pessoas para correr uma prova lindíssima de 21 km. Comentámos de seguida que a Península Ibérica ainda era um local seguro e que podíamos estar descansados, apesar de conseguirmos identificar vários pontos de falha na segurança.</p> <p> </p> <p>Este fim de semana pensei novamente na meia maratona de Barcelona e em toda a viagem que fizemos e fiquei realmente desiludida com a espécie humana. Relembrei todos os passos, tudo o que vislumbrámos, todos os momentos alegres que vivemos, todo o portunhol, toda a vida da cidade...</p> <p> </p> <p>É chocante o que tem vindo a acontecer por este mundo fora, não só na Europa mas em países como o Líbano que acabam por não receber tanta atenção. Dói ver o que tem vindo a acontecer a pessoas inocentes que estão simplesmente a viver momentos de uma vida normal da cultura ocidental. Aliás, é todo o conceito da vida ocidental que tem vindo a ser atacado, dos ataques em bares em Londres, ao ataque do concerto em Manchester, aos passeios à beira mar em Nice, o Bataclan, e agora as Ramblas, onde tanta coisa da cidade catalã se passa... Já são tantos!</p> <p> </p> <p>Sinto que os terroristas estão a ganhar esta guerra. Sim, porque pode não existir uma guerra oficialmente declarada, mas estamos em guerra... cada vez que oiço um "não devias ir a Istambul porque podem haver ataques", um "evita ir a Paris porque sabe-se lá o que pode acontecer" sinto que eles estão a ganhar terreno, que estão a conseguir plantar o medo e a desconfiança. Até as comunidades antigamente bem integradas agora sofrem de algum tipo de discriminação. Quantas vezes não ouvi já no 736 da carris comentários do género "está ali um muçulmano, temos que ver se isto não vai pelos ares". Até esse tipo de piadas parvas lhes dá margem de vitoria... Além disso, acho que até esse tipo de comentários poderá vir a destabilizar uma comunidade até agora sem problemas e sem revoltas de maior.</p> <p> <div id="qpHTWM1592024107" class="ink-carousel"><ul class="stage"><li style="list-style: none;" class="slide all-100 align-center"><img class="lazyload-item" src="" /></li><li style="list-style: none;" class="slide all-100 align-center"><img class="lazyload-item" src="" /></li><li style="list-style: none;" class="slide all-100 align-center"><img class="lazyload-item" src="" /></li><li style="list-style: none;" class="slide all-100 align-center"><img class="lazyload-item" src="" /></li></ul><nav style="position: static;" id="qpHTWM1592024107-pagination" class="ink-navigation half-top-space"><ul class="pagination chevron"></ul></nav></div> </p> <p>Isto foi só um desabafo. Um desabafo muito abreviado do estado de espirito que acho que está a ser semeado no mundo. O slogan "não temos medo" é bonito, mas mais importante que tudo é saber aplicá-lo. Ficar trancados em casa com medo é dar-lhes a vitória e sinceramente, antes morrer pela causa que dar-lhes o gozo de mudarem uma cultura de que tanto gosto. Por isto tudo, para o ano, se tudo correr bem, vou voltar à meia maratona de Barcelona (ou a outra qualquer na Europa, mas sem medo).</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:1081 2017-07-04T22:26:00 Comer, orar e amar? Não. Amar, comer e correr. 2017-07-04T21:46:15Z 2017-07-04T21:46:15Z <p>Há dias em que a parvoíce me escorre por entre a ponta dos dedos. Nesses dias estou divertida. Tudo isto porque sou divertidamente parva e não considero ofensa nenhuma apelidar-me de parva. Depois há dias como o de hoje. Dias em que saio à rua e nem 5 km consigo correr (5 foi para ser show off, nem aos 3 cheguei), mas foi assim que tudo começou. Houve um momento em que me deixei levar pela cobardia. Não tanto pela minha, mas pela cobardia alheia, pela cobardia das doenças que aparecem de mansinho e atacam em força... enfim... A cobardia fez-me definir prioridades, fez-me arrumar a vida em caixinhas, abriu-me os olhos para os grandes afazeres que podem ser feitos ao fim de semana. Fez-me amar cada pedaço do que me rodeia e fez-me comer. Comer muito... Até que chegou o momento de tomar uma atitude como deve ser. Só que puff...</p> <p>Andava a pensar demasiado e então comecei a correr. já tinha feito uma mini na brincadeira e uma meia sem treinar porque não queria morrer sem fazer uma meia. Comecei a correr para ocupar o cérebro, para não pensar só nos cócós da vida e foi resultando. No fundo troquei uma obsessão por outra (notei que estava débil do cérebro em relação às corridas quando fiquei verdadeiramente triste de não ir à meia maratona de Guimarães) mas esta fazia menos mal mas isto fez-me verdadeiramente adiar assuntos importantes na minha vida. Nestas últimas semanas não corri. Tive uma semana de férias, outra de trabalho num local onde não me era permitido ir à rua sozinha e uma e meia com uma infecção intestinal (as analogias que eu faria com a corrida se eu estivesse nos meus dias). A moral disto. Tudo é que agora que não corria há 1 mês, todos os temas arrumadinhos no canto pela corrida vieram cá para a frente e custa para xuxu... Quase que apetece dizer "corra com moderação" para que nenhum tema importante fique arrumadamente pendente...</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:781 2017-06-14T23:57:00 O meu joanete veio à praia 2017-06-14T22:57:51Z 2017-06-14T23:18:20Z <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_9641.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb6123d9e/20485835_EE51Y.jpeg" alt="IMG_9641.JPG" width="500" height="375" /></p> <p>No último post tinha mencionado que iria falar de cuecas de corrida neste post. Contudo, após alguma ponderação, decidi não o fazer. Ter um posto de cuecas após uma dissertação sobre o meu rabo iria ser enfadonho. Este post vai ser sobre outra zona do corpo que tanto me preocupa: os pés.</p> <p>Quem me conhece sabe que odeio pés. Sei que são precisos. Mas são a parte do corpo que menos gosto. Não conheço nenhum pé que possa dizer que é bonito, nem que seja porque um pé é sempre um pé.</p> <p>Os meus, no entanto, têm a particularidade de serem dos mais feios que existem. Imaginem o patinho feio. Esse transforma-se em cisne, não é? Pois... os meus pés são como lombrigas. Nunca são nada de observável. Acham que estou a exagerar? Uma amiga minha acabou de dar um gritinho ao ver o reflexo dos meus pés no espelho a perguntar que bicho era aquele. Sim... os meus pés fora confundidos com um bicho...</p> <p>Neste momento devem-se estar a perguntar que raio é que isto tem a ver com corrida... pois eu explico... é certo que os meus pés, por serem pés, nunca foram bonitos, mas ficaram bem piores quando comecei a correr.</p> <p>Após a minha primeira meia maratona fiz a minha primeira bolha de sangue. Só a furei(furar é diferente de rebentar) uma semana depois e foi como demo holocausto dos maus cheiros estivesse reunido nos meus pés. Depois disso achei que era problema dos meus ténis e fiz um teste de passada e comprei uns ténis novos. Nova meia maratona e nova bolha de sangue. Pois... o problema não era dos ténis... era mesmo da deformidade dos meus pés... não teria nada de mal se eu tivesse um burro a cagar notas no quintal... dar 140€ por uns ténis e eles continuarem a maltratar os meus pés não dá com nada...</p> <p>Eu acho que os meus pés também não gostam de mim... acho que decidem vomitar peles para de vingarem do trato que lhes dou. Então nascem bombas dentro das últimas bolhas que nasceram e ao lado... a festa das bolhas é na minha sola do pé durante as corridas... e nem são bolhas grandes... são só bolhas, que aparecem sempre que corro. Mas eu ainda gosto menos dos pés do que eles gostam de mim. Entao, compro uma lima eléctrica para me vingar dos pés (tadinhos) e eles ficam impecáveis.</p> <p>Tudo isto estaria optimo, se não existissem férias (e graças a Deus mesmo assim que existem). Estou neste momento numas férias de praia e os meus pés metem medo ao susto. É que o facto de nascerem bolhas dentro de bolhas faz com que haja muita pele morta... e quando vamos a uma praia com areia é como se os pés fizessem uma esfoliação. Com duas camadas não é nada do outro mundo, mas acontece que os meus pés já vão na quarta camada de pele morta. Com o empurrar que a areia faz, as camadas de pele morta são claramente identificáveis... e fazem destes pés algo de muito horrível e espanta macho (ou acham que algum macho gosta de uma festinha de pé que em vez de ser fofinha arranhe até fazer ferida?) .</p> <p>Já experimentei ir a pedicuras mas o efeito praia destrói sempre tudo de tal forma que me envergonho de lá voltar. A última vez que fui arranjarm os pés senti que a senhora precisava de um curso de veterinária para limar tanto casco.</p> <p>Enfim... se querem pés sensuais não corram. Se conseguirem correr e ter pés altamente, digam-me como o fazem.</p> <p>P.S.: este post não tem a foto da sola dos meus pés por não querer este blog bloqueado</p> <p class="sapomedia images"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:670 2017-06-06T21:10:00 Diz adeus ao teu rabinho de bébé 2017-06-06T20:29:07Z 2017-06-06T20:34:19Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="douro vinhateiro" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G9212d72f/20472161_ozzkr.jpeg" alt="douro vinhateiro" width="960" height="960" /></p> <p> A foto em cima foi tirada após a meia maratona do douro vinhateiro. À primeira vista pareço mega feliz, não é? Pois... mas olhem com um bocadinho mais de atenção e reparem que, apesar da adrenalina, o meu sorriso começa a ter um traço de aflitivo. Para um leigo de corridas, o mini ar aflitivo poderia dar-se ao facto de ter acabado de terminar uma corrida de 21 km, mas como já disse, essa parte até que já nem me custa muito (depois da corrida acabar). O que me levou ao ar aflitivo está relacionado com o título deste post: o rabiosque (tinha escrito belo do rabiosque mas creio que com o evoluir deste post, essa palavra ia parecer despropositada).</p> <p> </p> <p>Quem tem um rabo lindo e maravilhoso para mostrar na praia com um bikini espetacular, simplesmente deixa de o ter. Escuso de estar aqui com rodeios, o rabo fica mesmo muito maltratado. "Ah e tal, mas corrida é desporto, não devias ficar com um rabo altamente?", perguntam vocês. Pois... a nível de firmeza fica assim assim (como parte séria do post, devo desde já avisar que corrida não chega para dar firmeza). Contudo, estou-me mesmo a referir à pele do rabo e zonas circundantes. Estão a imaginar aqueles rabos mega fofinhos que até nos apetece transformar em almofadas (para quem se conseguir abstrair do medo de poder sair um pum)? Pois... se começarem a correr o  vosso rabo nunca mais será assim.</p> <p> </p> <p>Durante a corrida as pernas movem-se. Com a movimentação das pernas, o rabo (que fica mesmo por cima, para os mais distraídos) também se move. Quanto a vocês não sei, mas o meu rabo não é uma pedra portanto com o impacto com o solo abana um bocadito... E agora imaginem este movimento durante 21 km... Pode não parecer nada, mas vou ser directa... Faço 21 km em 2 horas, com o rabo a abanar... pois bem... imaginem-vos 2 horas a bater palmas... cansa, não cansa? Agora imaginem que não são as vossas mãos a bater palmas. É como o meu rabo se sente depois de uma corrida... Chateado comigo, farto de bater palmas (malditas nalgas que estão 2 horas a colidir uma com a outra como se além da corrida também existisse um combate de boxe no meu traseiro) e... assado como tudo. Halibut e bepanten são 2 produtos indispensáveis a quem está a começar a correr e é nabo como eu... É que só para ser mais clara... a assadura a que me referi nas últimas frases é mesmo no rego do rabo... fica vermelho como tudo e durante a semana seguinte dói como tudo... Mas na zona do rabo o rego não é o único a sofrer... as nalgas no seu pós combate também ficam com a sua assadura de roçar no calção (não é bem assadura, são borbulhinhas mas não posso colocar aqui fotos para não escandalizar ninguém). O limite inferior do rabo, também fica com a sua ligeira assadura e por fim... o limite da bainha do calção. Toda uma zona relacionada com o rabo assada e dorida depois de 21 km... Nem quero imaginar se fossem 42... </p> <p> </p> <p>Em tanta coisa que se fala uma boa roupa interior de corrida pode ajuda... Afinal, fala-se em sapatilhas de corrida, em calções de corrida, em meias de corrida... E as cuecas de corrida? Pois é... elas existem... Mas ficam para o próximo post. :)</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:omeujoaneteembriao:299 2017-06-04T22:34:00 Oh não! Mais um blog de corrida! 2017-06-04T21:58:36Z 2017-06-04T22:19:13Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="tenis.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb912e3b8/20467311_RazC6.png" alt="tenis.png" width="653" height="629" /></p> <p> </p> <p>Como devem perceber pelo título este vai ser um blog de corrida. Quer dizer... um blog é algo pensado e estruturado sobre algo que nos apaixona e que nos faz vibrar... A corrida faz-me vibrar sim, mas quando o faz é devido a dores... e dores fortes... portanto chamemos a este blog um pseudo-blog.</p> <p> </p> <p>Eu corro, sim. Corro porque a minha definição de correr é ter uns ténis (às vezes digo ténis e outras vezes sapatilhas, </p> <p>é uma das vantagens de ser do centro do país... somos os poliglotas dos dialetos tugas) e andar aos saltinhos pelas ruas (sim, a minha definição de correr é ir para a rua, as passadeiras não são minhas amigas). Já tenho algumas provas feitas e para o mais comum dos mortais não corredor até pode ser algo espetacular, mas os pros da corrida sabem que sou o verdadeiro ovo podre das corridas.</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p>Este ano já fiz 4 meias maratonas (e outras provazinhas): Barcelona, Lisboa, Guarda e Douro Vinhateiro, todas elas entre as 2h01 e as 02h05. Sinto-me orgulhosa por ver que o meu corpo começa a ficar habituado às porradas que são os 21 km. Parece que já não sente nada e é a altura certa para acelerar e começar a ser uma runner a sério.</p> <p> </p> <p>Mas no fundo, a minha questão é, será que eu quero ser uma runner a sério? Nunca fiz um farfetch na vida. Aliás, tive que ir ao google ver como isto se escrevia. Já fui à wikipédia várias vezes ver o que isto é e continuo sem perceber muito bem. Os meus treinos para as corridas são simplesmente sair à rua e correr, uns dias mais kilómetros e outros menos kilómetros... é o que calha... E nos dias seguintes às provas tenho a desculpa de ter feito uma prova... não tenho que fazer grandes esforços...</p> <p> </p> <p>Há quem diga que a corrida é um vício. Eu concordo. É um vício porque enquanto estou a correr não penso. Contudo, ao contrário do que leio em muitos sítios, não penso porque sinto a mente livre nem nada disso. Não penso em questões importantes da vida porque me doem os pés (raios partam os joanetes que tão pouco jeito dão para a corrida) ou porque estou demasiado preocupada na respiração ou porque estou mentalmente a competir com o tipo que está a correr mesmo atrás de mim e não quero que ele me apanhe... Enfim... a parte de não pensar na vida... é verdade... </p> <p> </p> <p>O meu objectivo neste blog não é relatar treinos espetaculares nem tempos de fazer inveja, até porque não tenho dedicação à corrida suficiente para isso. Considero que quem vier a ler este pseudo-blog estará a fazê-lo ou para ganhar motivação e pensar que qualquer um pode correr (se eu o faço, vocês também conseguem) ou porque quer saber o que acontece MESMO quando uma pessoa corre.</p> <p> </p> <p>Imaginem um parto. Toda a gente fala desse momento como se fosse um milagre da natureza. Esquecem-se é de mencionar que as mulheres levam clisteres antes do parto. O meu conceito de milagre não inclui um clister. Peço desculpa à mãe natureza se a ofendo, mas é o meu ponto de vista. Digamos que neste pseudo-blog o que quero fazer é relatar todos os clisteres da corrida, das bolhas, às diarreias, mas os problemas e as questões reais. Além disso, poder-se-ão inspirar nesta página numa prespectiva de "o que não fazer para ser um bom runner".</p> <p> </p> <p>Vou tentar ter inspiração uma vez por semana. Até lá, o hashtag do insta (sim, eu criei um hashtag) é #omeujoaneteembriao. </p> <p> </p> <p>P.S.: Acho que tenho um dorsal para a meia-maratona de Guimarães que posso dispensar. (para começar em grande o pseudo-blog)</p>